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2025

Águas da
Amazônia

Ilustração para projeção

Festival Águas da Amazônias

2025

 

Quando desenhei esta ilustração, não estava apenas recriando um arquivo histórico. Estava trazendo de volta à vida o olhar de uma parenta, a mulher Mura da aldeia do Jauary, capturada pela lente de Nimuendajú. Colocar o mapa do Rio Madeira em seu peito foi um ato de reconhecimento: ela é o rio, e o rio corre em mim também. Esta não é uma metáfora distante; é a verdade do nosso sangue. A geografia sagrada que tracei sobre ela é o mesmo curso d'água que moldou a existência da nossa família, uma herança viva que flui das mãos dela para as minhas.

Ela, nossa parenta, e todo o nosso povo Mura, foram e são tão essenciais para esta terra quanto o próprio Rio Madeira. Desenhar esse mapa em seu peito é afirmar que a nossa ancestralidade é a correnteza que nutriu o passado e que ainda sustenta o presente. A memória do nosso povo não é um acervo parado, mas um rio de resistência. Cada curva desenhada sobre ela é um afluente da nossa história, um lembrete de que não podemos ser apagados, porque a nossa existência é fundamental, como a água.

Fazer este retrato foi, portanto, mais do que uma homenagem; foi um ato de resgate familiar. Através dos meus traços, eu a convoco de volta, não como um espectro do passado, mas como uma força viva que me orienta. Ela, nossa parenta-rio, me lembra que carregamos o mesmo território dentro de si. Enquanto eu respirar e criar, o mapa da nossa existência continuará sendo desenhado, insistente e perene, porque a nossa memória é um rio que não seca.

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