
Mulher Mura Ilustração Auá Mendes 2025 Águas da Amazônias

Mulher Mura Ilustração Auá Mendes 2025 Águas da Amazônias
2025
Águas da
Amazônia

Mulher Mura da Comunidade Jauary em Autaz 1943

Mulher Mura Ilustração Auá Mendes 2025

Mulher Mura da Comunidade Jauary em Autaz 1943
Ilustração para projeção
Festival Águas da Amazônias
2025
Quando desenhei esta ilustração, não estava apenas recriando um arquivo histórico. Estava trazendo de volta à vida o olhar de uma parenta, a mulher Mura da aldeia do Jauary, capturada pela lente de Nimuendajú. Colocar o mapa do Rio Madeira em seu peito foi um ato de reconhecimento: ela é o rio, e o rio corre em mim também. Esta não é uma metáfora distante; é a verdade do nosso sangue. A geografia sagrada que tracei sobre ela é o mesmo curso d'água que moldou a existência da nossa família, uma herança viva que flui das mãos dela para as minhas.
Ela, nossa parenta, e todo o nosso povo Mura, foram e são tão essenciais para esta terra quanto o próprio Rio Madeira. Desenhar esse mapa em seu peito é afirmar que a nossa ancestralidade é a correnteza que nutriu o passado e que ainda sustenta o presente. A memória do nosso povo não é um acervo parado, mas um rio de resistência. Cada curva desenhada sobre ela é um afluente da nossa história, um lembrete de que não podemos ser apagados, porque a nossa existência é fundamental, como a água.
Fazer este retrato foi, portanto, mais do que uma homenagem; foi um ato de resgate familiar. Através dos meus traços, eu a convoco de volta, não como um espectro do passado, mas como uma força viva que me orienta. Ela, nossa parenta-rio, me lembra que carregamos o mesmo território dentro de si. Enquanto eu respirar e criar, o mapa da nossa existência continuará sendo desenhado, insistente e perene, porque a nossa memória é um rio que não seca.

Mulher Mura Ilustração Auá Mendes 2025

Mulher Mura Ilustração Auá Mendes 2025
