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2025

YUNZA

Identidade Visual 

Exposição YUNZA de Yanaki Herrera

2025

A primeira exposição individual de Yanaki Herrera, intitulada YUNZA, se constitui como um corpo de trabalho profundamente enraizado na experiência diaspórica e na resiliência da memória. O conceito central da mostra toma emprestado o nome do ritual andino de comunidade e fertilidade, onde um árvore, adornada com presentes, é cortada para celebrar novos ciclos. Yanaki transplanta essa cerimônia coletiva para o campo da pintura, transformando a tela em um solo fértil onde ela semeia narrativas de dor, resistência e cura. Sua obra opera uma conexão vital entre a vida e a arte, fazendo do ato de pintar um ritual contemporâneo de descolonização, no qual as figuras de mulheres migrantes e racializadas emergem não como vítimas, mas como portadoras de uma força ancestral que desafia as violências imbricadas de raça, gênero e classe.


A trajetória pessoal da artista, que migrou de Cusco ainda adolescente e hoje transita academicamente entre a Bolívia e o Brasil, é o substrato de onde brota sua pesquisa visual. Através de uma paleta que evoca tanto a terra dos Andes quanto a atmosfera urbana de Belo Horizonte, Yanaki constrói narrativas visuais que são, também, cartografias íntimas do deslocamento. A dança, elemento fundamental de sua formação e prática pedagógica, manifesta-se em suas composições na forma de corpos que se movem com uma graça ritualística, tensionando o espaço  carregando consigo a história de seus povos. YUNZA é, portanto, mais do que uma exposição; é a materialização de um wawa wasi (lar de crianças em quéchua) simbólico—um espaço acolhedor onde as múltiplas camadas de sua identidade (artista, mulher, migrante, mestra de dança) se entrelaçam para celebrar a vida que persiste e floresce, mesmo em solo estrangeiro.

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