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2024 - 2025

Sesá Ixé :
Olhar Eu

Logo Exposição Individual Sesá Ixé Olhar Eu

Série Manual

Entre plantas sagradas, cores vibrantes e histórias encantadas, te convido a escutar atentamente toda a movimentação que essa série provoca na gente. Auá Mendes oferece uma exploração sensível, que vai do sonho ao despertar, nos proporcionando uma jornada poética de autodescoberta ancestral, imagética, realista e sincera, na qual compartilha aspectos fundamentais de sua existência, que por si só são obras de arte.


A exposição Sesá Ixé : Olhar Eu, reúne 2 séries compostas por 9 obras autobiográficas de Auá. As obras, criadas em técnicas mistas com o uso de canetas Posca, lápis de cor, giz de cera, aquarela, acrílica, látex e spray, utilizam todos os recursos disponíveis para alcançar um resultado sublime. Isso revela como Auá se move pelo mundo, empregando todos os meios à sua disposição para entregar um resultado encantador, com a força ancestral e a leveza de quem sabe por onde caminhar, como se levantar, onde se esconder e quando se revelar. As obras refletem a maturidade técnica da artista e percorrem uma jornada por suas memórias, sonhos e relações imagéticas que só através da arte é possível revelar.

Essa artista carrega em seu corpo político uma cosmologia indispensável para esse momento do mundo que estamos vivendo, nos convidando a Acordar a Memória, como nos ensina Sandra Benites, para conseguir arquitetar o futuro, que sempre é ancestral, citando Ailton Krenak.

Nessa primeira exposição individual da artista, as obras se apresentam como uma extensão desse corpo político, contando suas memorias internas da infância, da puberdade, da adolescência, encontros com o sagrado mitológico, encontro com o sagrado que o amor constrói, sua transição, sua fluência pelo mundo e sua narrativa que nos envolve, protege, fortalece, abraça, expande, encerra e inicia, citando Nego Bispo: tem começo, meio e recomeço. A série inédita traz obras que dialogam sobre a trajetória de vida dessa artista tão contemporânea e sublime.

O uso das cores também revela uma maturidade artística e um diálogo profundo com suas histórias e a essência de seu trabalho nessa busca e encontro do eu. Auá Mendes se apresenta em sua solitude, mostrando suas vulnerabilidades que a tornaram uma imensidão azul, mas não só isso, sempre acompanhada das plantas de poder, dos seres que a protegem, das histórias de amor que a compõem, e a estrela dourada, hora mais viva, hora mais concentrada entre as camadas de tintas representando as camadas da vida dessa tão jovem mulher indígena que carrega uma legião de grandes mães ancestrais.


Fica o convite expresso a entrar nesse universo mágico e encantado, que essa exposição é música, filme, livro autobiográfico e um grande banquete manauara, onde nos deleite é a entrega aos sentidos.

Texto curatorial Vera Nunes

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